Parse error: syntax error, unexpected '?' in /home/acervo.aba.com.br/public/wp-content/mu-plugins/header-indexs.php(9) : eval()'d code on line 37 Monica Orcioli, da Swarovski, revela as estratégias por trás dos produtos cravejados com cristais | ABA – Associação Brasileira de Anunciantes
sábado, 21 de março de 2026

Monica Orcioli, da Swarovski, revela as estratégias por trás dos produtos cravejados com cristais

Com mais de 120 anos no mercado e presente em 170 países, a Swarovski tem uma atuação mais diversificada do que se imagina. Além da venda de produtos no varejo, em lojas próprias e de terceiros, a empresa conta com uma divisão especializada em criar projetos que ajudam outras marcas a atingir consumidores de classes de maior poder aquisitivo. Em entrevista ao portal Propmark, Monica Orcioli, diretora-geral da Swarovski Professional, divisão B2B da empresa, revela as estratégias por trás de sandálias Havaianas ou óculos da Chilli Beans cravejados com cristais.

O que é exatamente a Swarovski Professional?
A Swarovski Professional é a divisão de B2B da Swarovski mundial. Essa é a área que deu origem à empresa há 120 anos. É anterior ao varejo. Enquanto a outra divisão faz a gestão das lojas, nós vendemos várias plataformas de produtos para uma série de clientes e indústrias. Uma das linhas que nós temos é a de cristal, que vendemos não só para produtores de bijuterias ou os varejistas, mas também para o mercado de moda, calçados, acessórios, além de vários outros segmentos, como embalagens e decoração. Nossa missão, principalmente no mercado brasileiro e latino-americano, é contribuir para a ‘premiumnização’ das marcas e das coleções dos nossos clientes. A ideia é gerar uma sofisticação que faça o consumidor estar mais disposto a pagar até 100% a mais do que ele pagaria nos mesmos produtos sem os cristais da Swarovski. O objetivo é agregar valor e inovação, ou seja, glamourizar a marca do cliente. Criar produto fashion e de qualidade.

Qual foi a estratégia de marketing que fez a empresa, fundada há mais de um século, tornar-se referência no mercado de luxo em todo o mundo?
Posso dar alguns exemplos que podemos ver até hoje. Desde a década de 1940, nós já vendíamos nossos cristais nas principais lojas e vestíamos as maiores celebridades. Um exemplo clássico é a Marilyn Monroe. Quando ela cantou o famoso Happy Birthday para o presidente John Kennedy, dos Unidos Unidos, ela estava usando um vestido com centenas de milhares de cristais da Swarovski. E essa estratégia continua. O cantor Pharrel Williams é um artista que tem uma jaqueta com nossos cristais. Claudia Leitte, na abertura da Copa, junto com Jeniffer Lopez, apresentou-se com uma roupa que tinha nossos cristais. Rihana, no ano passado, também usou um vestido. A cortina do Oscar é feita com nossos cristais. Portanto, essa é a estratégia que a marca usa para se posicionar e isso, mais do que uma ação, vira uma inspiração para a indústria da moda. Além disso, incentiva as pessoas a consumirem e admirarem produtos relacionados com a Swarovski.

Quais são os clientes da empresa no Brasil?
São vários. Temos Osklen, Animale, Dudalina (cristais aplicados nas camisas), Havaianas (cristais nas sandálias), O Boticário (cristais nas embalagens da linha “Make B*”), Chilli Beans (óculos), Alexandre Birmann (aplicação de cristais em calçados), Liz e DeMillus (aplicação de cristais nas lingeries), entre outros.

Qual é o risco de unir uma marca de luxo como a Swarovski com marcas de consumo mais populares, como O Boticário, Chilli Beans ou Havaianas?
Fazemos análises minuciosas para definir quais parceiros queremos trabalhar. Procuramos não desenvolver nenhum projeto que possa entrar em conflito com o nosso conceito. Avaliamos a reputação da marca, o segmento, tudo. Para criarmos projetos em conjunto, precisamos que os parceiros sejam líderes ou tenham destaque no mercado. No entanto, não fazemos essa distinção de marcas populares e marcas de luxo. Um bom exemplo disso é a Havaianas. Você pode comprar uma Havaianas por R$ 20 ou por até R$ 500, se ela estiver cravejada com cristais da Swarovski. O importante é que a marca parceira tenha objetivos tão definidos quanto os nossos e a mesma vibração que nós temos, pois os projetos são contínuos e oferecem resultados a longo prazo. Temos uma visão criteriosa para estabelecer as associações. Outro ponto é que, principalmente no Brasil, o objetivo é justamente ajudar no processo de premiumnização de outras marcas. A própria Havaianas não nasceu com a reputação que ela tem hoje. Foi um trabalho muito bem feito. Acreditamos que podemos contribuir inclusive para a internacionalização dos produtos dos nossos clientes brasileiros.

E qual é a reação do consumidor tradicional da Swarovski quando ele vê a marca associada com outra marca menos luxuosa?
É preciso entender que, hoje em dia, o consumidor tem vários momentos. Por mais alto padrão que seja um consumidor, ele não vai comprar marcas de luxo o tempo todo. Tem momentos em que ele também quer uma coisa que seja fashion, mas que tenha um valor mais baixo do que um óculos de R$ 6 mil. O consumidor cada vez mais transita nesses dois mundos. Acima de tudo, o consumidor gosta de ter a opção. Gosta de entrar em uma loja da Chilli Beans, por exemplo, e ver que a empresa está se preocupando em oferecer o que existe de melhor. Em relação ao case da Chilli Beans mesmo, é um privilégio participar desse processo de premiumnização da marca.

Como é feita a avaliação de resultados, já que, nestes casos, a Swarosvski não é a marca vendida?
Fazemos um trabalho de gestão de categoria muito próximo aos clientes. Desde o desenvolvimento do produto ou da coleção, a gente trabalha nas metas de vendas, nos potenciais, na margem. E esse trabalho não termina, porque, em geral, os parceiros não fazem um projeto só. A gente avalia os resultados por meio da performance de venda dos clientes. Temos a Havaianas, por exemplo, que trabalha conosco há mais de dez anos. Esse tipo de iniciativa trouxe o crescimento que temos hoje no mercado brasileiro. Em três anos, dobramos a nossa operação no país e agora queremos fazer o mesmo com os outros países da América do Sul.

A companhia está crescendo mesmo neste período de crise?
No ano passado, tivemos um crescimento de 15% e, nos outros países da América Latina, chegou a 40%. No Brasil, o crescimento é menor porque já é um mercado avançado em relação aos vizinhos, a base de comparação é maior. Por outro lado, também é verdade que ainda temos de fazer muito para chegar ao nível de países europeus.

Como o mercado de luxo reage a uma crise econômica?
Um dos reflexos da situação econômica atual é que os consumidores do segmento de luxo estão deixando de viajar ao exterior e, consequentemente, estão comprando mais dentro do Brasil. São bilhões que estão deixando de ser gastos fora e podem ser gastos no Brasil. O desejo de consumo é latente e continua existindo, seja por produtos importados ou mesmo por produtos nacionais que tenham diferenciais. Por isso, cada vez mais, a gente encontra oportunidades. Momentos como esses são bons para marcas locais buscarem diferenciação para atender à demanda do consumidor premium que está viajando menos e comprando mais aqui, além da própria necessidade de criar mais promoções. Por exemplo, lançamos recentemente uma área de brindes corporativos que está crescendo muito porque a gente realiza boas promoções e criamos produtos personalizados.

Qual é o público-alvo que vocês buscam quando realizam ações de marketing ou relacionamento?
Temos dois alvos na comunicação. O primeiro é o B2B, para falar diretamente com os clientes. Entretanto, também fazemos um trabalho para sensibilizar o consumidor final. Não adianta nada a gente estimular somente as empresas sem ter uma comunicação efetiva junto ao consumidor. Usamos todas as ferramentas possíveis para preparar e comunicar todo o público, desde vendedores, imprensa e formadores de opinião até os consumidores.

A operação brasileira acaba se favorecendo por clientes que a Swarovski já tem fora do país e querem começar a atuar no mercado brasileiro?
Não herdamos muitos clientes, não. Nós trabalhamos mais com marcas locais mesmo. Como as empresas estrangeiras produzem tudo fora do Brasil, a gente não consegue ter tantos benefícios de ganhar clientes por ‘herança’, digamos assim. Nós precisamos ralar aqui mesmo (risos). A prospecção é mais local.

Como é realizado o trabalho criativo das tendências lançadas pela Swarovski?
Temos uma espécie de agência in house formada por profissionais de comunicação, design e especialistas em branding. É uma equipe de cerca de 60 pessoas localizadas em grandes centros de estilo na Áustria, França, Inglaterra e Estados Unidos, entre outros países. Temos um designer no Brasil também. A cada seis meses a gente lança tendências de moda verão e inverno. O departamento criativo desenvolve ideias com todas as cores e efeitos, que são divididos em diversas categorias. Fazemos apresentações de tendências simultâneas para todos os clientes, desde os maiores até os menores, com a ideia de inspirar. A partir daí, o foco é atender os pedidos para desenvolver as coleções de acordo com o DNA das marcas. Em resumo, o nosso trabalho é preencher o espaço de demandas pouco percebidas pelo mercado e criar oportunidades locais para as marcas parceiras.

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(Propmark 14/03/2016)

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